quarta-feira, 11 de setembro de 2013

DESTINO SOMBRIO


Capítulo 1-Liberte-se!

Abrindo mente, teste diário, consigo me ouvir? Sim perfeito, querido cérebro, começarei agora um dialogo longo com você, todos os dias em diversos horários, como não tenho amigos e não me relaciono bem com as pessoas, só me resta reservar os meus segredos mais ocultos com você!... Meu nome é Otávio, (isso você já sabe hahá) sou muito conhecido por fazer trabalhos nos quais as pessoas comentam ser “magníficos”, eu não me acho magnifico, mas sempre busco me aperfeiçoar, eu pretendo trabalhar perfeitamente, processando os vários tipos de atividade que me concederão uma melhor vida. Hoje, hoje foi um dia comum como sempre, um dia normal, acordei, fiz os meus alongamentos como de costume, tomei banho e me arrumei para sair, sim você sabe, eu saio todos os dias antes de tomar café, me ajuda a pensar melhor e me concede um maior controle do meu corpo. Na pracinha da rua, costumo observar as pessoas, tem cada uma mais estranha que a outra, são vários tipos, hábitos e conversas das  pessoas desse mundo, hahá, mas cada caso é um caso, continuando... Andei até a frente da Arvore central e comecei a observar, percebi que tinha um garoto chorando, ele chorava muito num choro discreto, não me aproximei, é obvio, não costumo falar com as pessoas pois a maioria delas são muito estranhas, cheio de hábitos irregulares, não sei com os outros não conseguem ser organizados como eu. Então um adulto chegou perto dela e começou a acenar numa posição de dedos, quase que como uma ofensa, ele bem sutilmente ergueu a mão e socou-o muito forte! Nessa hora eu consegui ouvir o barulho do queixo se deslocando. O menino caiu e pareceu desmaiado, também pudera, com um soco desses até eu também cairia. Mas aquilo me revoltou, e olha que não sou do tipo de que se revolta, eu fiquei com muita raiva daquele homem que socou o garoto e algo me fez levantar. O cara percebeu que eu tinha levantado e me observou rapidamente num olhar sério e frio. Nessa cena eu estava apenas a uns 10 metros de distância daquele homem, então ele começou a correr, tentar escapar. Vendo isso, eu não poderia deixa-lo fugir e comecei a correr também seguindo ele. Corremos incessantemente por mais ou menos um minuto e meio, quando pensava que não iria alcança-lo mais ele tropeçou numa lata de refrigerante (dessas que se compram em um “envenenador de pessoas”) , caiu com as mãos apoiadas no chão e consegui chegar perto dele (Não havia ninguém naquele lugar, era o bosquezinho a uns 200 metros da praça) e então falei:
- Por que?
Ele me olhou com uma cara de medo feia, as sobrancelhas dele estavam tremulas, ele suava intensamente, as pupilas se abriam e fechavam a cada 3 segundos. Eu tentava acompanhar o ritmo da respiração dele para sentir o que ele estava sentindo naquele momento, então ele falou:

-Por que o que? Me deixa em paz! 
-Mas por que você fez isso com aquele garoto, ele deve estar caído no chão da praça até agora, não poderia deixar você fugir sem nem ao menos entender a situação, então me diz, por quê?!
-Saia da minha frente desgraçado, você não iria entender!

Ele puxou rapidamente uma faca aparentemente de cozinha, percebi que essa faca já estava suja com alguma coisa, mas não identifiquei.
Ahhhhhhhrrr!!!

Gritou bem alto e pulou em cima de mim, ele estava agora mais nervoso e tremia muito com aquela faca na mão. Ele quase me acertou, não fosse o meu reflexo que atendeu de maneira instantânea, poderia ter morrido! (agora imagina só, um ninguém como eu morto na praça, não passaria de estatística, alguém iria ao meu enterro? Talvez sim, para me ver apodrecer a sete palmos). Não tenho amigos, não sou nada. Não, eu não sou depressivo pois nunca pensaria em me matar, perder a vida, para que? É tão bom estar vivo, mesmo não sendo ninguém...)
-Eu tenho que te matar, ou você vai me dedurar para a polícia (ele falava isso de maneira agressiva e piscava os olhos freneticamente, não sei, talvez fora um tique-nervoso momentâneo). Nós dois tínhamos caído no chão e eu estava segurando o braço dele com muita força e tentando empurrar a faca para o outro lado.

-Consegui! (falei num tom alegre, quando fiz com que a faca caísse ao chão)
-Não cara, por favor, não faz nada comigo, me desculpa por isso, só estava nervoso ( Falou o homem, me olhando com os olhos lacrimejando)
Então o soltei.
Ele saiu chorando e cambaleando, catando ficha, as pernas dele tremiam muito e ele não conseguia correr.
Rapidamente olhei para o chão em busca de algum item no qual poderia para-lo, (será que ele pensou que o deixaria fugir assim tão fácil depois de tudo que eu vi?) achei uma pedra, uma pedra bem grande. (risos)
Peguei o pedregulho com as duas mãos e arremessei (ele já estava a uns 6 metros de distancia de mim), ouviu-se um som oco de colisão nos ossos, sim, sim ,eu o acertei, bem nas costas!
-Arrg! (foi a única coisa que saiu das cordas vocais dele, um som interrompido de dor, será que ele ainda está vivo? Pensei).
Então fui andando pacientemente até ele, me agachei e me apoiei no chão. Coloquei rapidamente a minha mão no peito dele e consegui sentir as batidas do coração que desaceleravam bem lentamente. Mas estava tudo bem, ele agora só descansava, não estava morto, ele apenas desmaiou como o garoto. Tinha feito uma coisa boa naquela hora, fiz ele pagar com a mesma cédula! (quer dizer... mesma quebra, de ossos, há há há).

Não sei o que sucedera ali naquela hora, pois caminhei lentamente para o shopping, por incrível que pareça, não havia ninguém naquela pracinha, ninguém mesmo, foi estranho fazer aquilo com aquele rapaz, não foi ruim? Não, não foi ruim. Após arremessar aquele objeto duro, poroso e crespo nele eu me senti com uma paz de espirito, uma paz muito grande e ali descobri a minha maior vocação, fazer o bem, fazer “bondades” para os seres humanos! Mas o que me deixou aflito foi a curiosidade que fiquei, a todo momento que estava no shopping (2 horas mais ou menos) eu pensava, onde será que estará o meu objeto (assim que comecei a chamar as pessoas nas quais trato com justiça) depois que ele, por mera sorte caiu aos meus pés desmaiado. O que será que aconteceu com o garoto? Ele estava muito ferido, e precisava ajuda-lo, não poderia ter deixado ali, se bem que acredito que alguém o vira quando foi brutalmente espancado por aquele monstro perverso, agora, meu objeto. Estava eu no shopping às 10:30 da manhã, olhando para todos os lados a procura de algo que tirasse o meu tédio, nada era suficientemente bom. Comecei a matutar e matutar até que vi a porta da clareza se iluminar aos meus olhos. Eu precisava saber, eu realmente precisava saber!




Capitulo 2- Atuação

Eu saí daquele shopping correndo, desesperadamente, não poderia deixa-lo lá, meu objeto, agora fazia parte do meu estudo, fazia parte de mim, e descobrir tudo o que aquele ser tinha para me dar de informação era o bastante naquele momento, pois eu não me contentava em meramente fazer o bem, eu precisava atuar o bem, dar o melhor de mim para “investigar” aquela situação. No no no, como seria mau em deixar ele lá, coitadinho do desgraçado, coitadinho da minha cobaia, meu Marskaya Svinka!
Estava suando, minha temperatura era de aproximadamente 37 graus, minhas pupilas dilatavam, e minha pressão sanguínea parecia não parar de aumentar, essa sensação de adrenalina era  uma das melhores que já experimentei, dava até para sentir o gosto as vezes, tinha gosto de ferro há há. Estava me aproximando dele, estava pertinho quando de repente:
-Droga!-falei eu num tom de revolta- Não consigo ver ele daqui
estava lá, apenas uma mancha no chão, um tecido rasgado, talvez ele tenha se levantado e fugido, talvez alguma pessoa o tenha resgatado dali, não sabia, não fazia ideia, estava muito confuso para pensar! O que agora? O que faço? Precisava saber onde acha-lo. Se há uma coisa que sempre me deixou furioso foi tirarem algo de mim. Ele agora era o meu brinquedo, e eu precisava dele, nós nos precisávamos naquele momento, deveria eu julga-lo pelos atos dele? Sim, eu posso!
Comecei a olhar para os cantos, e lugares daquela pracinha florida, ela tem várias árvores e flores, pessoas alegres a brincar, não entendo tamanha felicidade, como pessoas podem ficar alegres? Os problemas são maiores que qualquer felicidade, será que elas não percebem isso? Será que não veem que a alegria é  para aqueles que não conseguem pensar? Tudo bem, deixa para lá... Sim, onde estava mesmo? Ah, ok  lembrei! Como ia dizendo... Estava eu andando pelos lugares da praça a procura de alguma pista, então comecei a perguntar para os transeuntes que estavam a passar por ali, vi um velho sentado na cadeira,  não sei se ele estava lá por muito tempo, mas não custava nada perguntar:
-Ei você, me dá uma informação, por favor?
-O..O..lá, bom dia, o que... deseja?-ele estava me olhando com uma cara de assustado, não sei por quê! Logo pensei: será que ele estava lá, imperceptível, na hora em que eu derrubei aquele “objeto”? Não sei, talvez...
-Por que o senhor está nervoso?
-Eu, não, não estou nervoso amigo- me respondeu com um sorriso besta no rosto, sabia que ele disfarçava a tensão naquele momento.
-O senhor pareceu estar meio tenso, mas... Desculpa a minha inconveniência... vou direto ao assunto, você viu alguma coisa estranha por aqui hoje de manhã? Disseram-me que havia um moço caído aqui no chão, é verdade?
-Sim Sim, havia mesmo, a uns 10 minutos chegaram uns paramédicos e levaram ele daqui, o trabalho deles um pouco dificultado pela poção de curiosos que estavam ali, até pensei que não sairiam.
Então comecei a encarar aquele velho, por mais ou menos 10 segundos... Ele me olhava com cara de retardado com aquele mesmo sorriso besta no rosto, que tédio! Continuo no ócio- Obrigado senhor, ajudou um pouco, passe bem!
- De...de nada Jovem.
Então, retirei-me a minha insignificância e continuei o “trabalho”, procurei por alguém que tivesse visto a maca, procurei por mais ou menos 20 minutos, e nada! Nenhuma pista, nadinha!

Até que, ali parados havia um grupo de jovens conversando, a conversa parecia estar rendendo hehê
-Olá galerinha, eu queria perguntar a vocês se vocês viram uma ambulância que saiu daqui a mais ou menos 30 minutos? Disseram-me que isso aconteceu, mas vocês sabem para que lado ela foi? ou hospital? (deveria ter perguntado isso ao velho ou para as outras pessoas que perguntei droga, pouparia meu tempo, mas estava tão esbaforido que nem disso me lembrei, acabei olhando para trás nesse momento e vi que o velho não estava mais lá, talvez ele não estivesse mais lá a muito tempo. Culpa no cartório? Não sei, mas tarde averiguaria isso com mais calma, Rumrumrará ), alguma coisa, vocês sabem?
-Olha moço - falou uma jovem, 1,60 de altura, aparentando 16 anos de idade, várias tatuagens no corpo e um pircing no umbigo que estava mostrando para um rapaz um pouco maior e que aparentava ser mais velho, logo quando cheguei.- Nós estávamos todos ali, os paramédicos o levaram do chão para a ambulância e foram em direção norte da cidade. Ah, o nome da ambulância é Mediterrânea, é um hospital a uns 2 quilômetros daqui, o cara parecia estar muito mau, estava com um ferimento nas costas, será que foi baleado?
-Não sei jovem, mas ajudou muito! Muito! – Falei isso em quanto andava rapidamente me preparando para correr na direção certa, direção essa que me levaria  ao meu objeto de estudo!
-Ei, cara, mas por que quer saber, ele era algum parente seu?-(Não deu nem tempo de responder pós estava um tanto quanto longe deles, e agora, corria).·.





Capitulo 3- Tinta sobre tela

Lá estava eu, correndo pelas ruas feito um louco (como se eu não fosse...) e procurando o hospital, aquilo que eu queria encontrar de qualquer maneira, afinal, era o meu segredo e eu tinha que guarda-lo a vinte chaves, ninguém poderia saber o que aconteceu, e se aquele indivíduo falasse algo para a polícia? Minhas características físicas são bem fáceis de descobrir, precisava lutar contra o tempo! A quinze metros de distância do Hospital Mediterrâneo eu parei, respirei e comecei a observar. A cidade como sempre, estava um caos, muitos carros, muitas motos, barulho de buzina para todo o lado, pessoas gritavam constantemente coisas como: -Saia da frente seu miserável, desgraçado! Anda rápido eu preciso ir ao trabalho! (E por aí vai...). Tenho que confessar que odeio as cidades por causa disso, as pessoas são cada vez mais influenciadas pelo tempo e se esquecem de perceber as mínimas e mais belas coisas da vida. Uma das atividades mais importantes para mim é a percepção do mundo em que você vive, basta parar e apreciar o ambiente que logo uma sensação musical, seja ela de alegria ou  discórdia o envolverá e o carregará para longe, como naquele momento. Acabei vendo uma senhora que caia no chão, na faixa de pedestres e ninguém foi capaz de ajuda-la (nem eu, por que a minha função ali naquele instante era observar o ambiente e o funcionamento dos cidadãos), isso com certeza é uma falta de absurdo extrema, Há há! O que aconteceu naquele minuto em que parei para descansar acontece rotineiramente, todos os dias é a mesma coisa, até parece algo projetado pelo universo, pessoas nascem todos os dias e determinadas funções são atribuídas a ela como um destino, não sei se é isso, mas é o que parece... Se for, o meu destino é sombrio, sombrio como a neve em madrugadas de luar, frio como um magma petrificado.
Tendo eu já descansado mais ou menos um minuto e trinta, avancei lenta e tranquilamente para o hospital. Eu não estava com um cheiro bom, pois tinha transpirado em excesso nessas ultimas horas passadas. Assim que entrei no hospital vi três pessoas, uma delas estava com uma criança de mais ou menos quatro anos que olhava para mim fixamente (crianças, adoro elas e a sua inocência, se as pessoas no mundo tivessem a inocência das crianças o mundo seria outro) em seguida os supostos pais que estavam com ela me olharam fixamente. No saguão de entrada havia mais ou menos seis pessoas esperando atendimento, que por alguns segundos olharam para mim. Pensei: Será que há algo de errado comigo? Não, não deve ser nada.
Fui falar com a recepcionista, uma mulher bem afeiçoada, cabelos longos e uma postura séria.
-Bom dia (ainda iria dar 12:00 horas)
-Bom dia senhor, em que posso ajuda-lo?
-Eu estava acompanhando um caso na rua onde vi que um homem aparentemente tinha sofrido umas escoriações nas costas, no primeiro momento eu ajudei-o chamando a ambulância, mas quando fui procurar o meu filho que tinha se perdido de mim acabei me afastando daquele homem e o perdi de vista, daí me disseram que uma ambulância do mediterrâneo o tinha trazido para cá... (tinha que contorcer os fatos, até por que mentir é uma das minhas melhores habilidades, fui disciplinado com isso desde criança, e como o meu pai era militar, ficou fácil aprender a me defender com mentiras para me livrar das surras que eu tomava, mas isso é uma história para outra ocasião querido e amigo cérebro).
-Sim senhor, a poucos minutos entrou aqui um homem numa maca e que estava por jorrar sangue sem parar, uma ferida nas costas se não me engano.
-E para onde ele foi? Preciso saber como ele está!
-Deixe-me ver aqui, cinco... Sete... Sim, aqui, encontrei! (balbuciava ao procurar o número do leito de enfermaria do hospital em que o ferido estava) Ele está no leito treze da enfermaria, mas antes de poder visita-lo eu preciso verificar a sua identidade, por favor.
-Sim, claro (tirei a minha identidade, deveras falsa, diga-se de passagem, e entreguei para ela)
Digita de cá, digita de lá, e eu ficando um pouco desconfortável com aquela situação até que: 
-O seu cadastro está completo senhor Robson, obrigado por aguardar.
-Não foi nada. (lembranças desse RG... até hoje me lembro do Robson, foi uma das minhas obras de arte preferidas)
Peguei a minha carteira de identidade e ensaquei de qualquer jeito no bolço em quanto andava em direção ao quarto (quantos corredores aquele hospital tinha! Já fui tantas vezes e ainda não conseguia me acostumar com aquela arquitetura), comecei a olhar e a olhar até perceber uma movimentação estranha no quarto treze, sim ele estava lá, mas não por muito tempo.
-Com licença, amigo, eu preciso passar! –vamos doutor não podemos perdê-lo, - Direto para U.T. I, agora! (era o que se ouvia)
Aquele homem no qual apedrejei por “justa causa”, estava enrolado num curativo que já não estava na cor inicial, agora ele tinha um tom de vermelho claro. O paciente parecia estar num coma, não sei se induzido pelos médicos, mas ver aquela cena me fazia feliz por que me dava quase  certeza de que o meu segredo ainda estava lá guardado com o meu Marskaya Svinka. Os paramédicos juntamente com os médicos passaram por mim bem rápidos empurrando a maca. Não sei para onde iriam, mas como bom precavido que sou resolvi segui-los.
Logo após eles entrarem no elevador os segui:
-Por favor, aperta o terceiro andar para mim amigo?-disse um dos paramédicos-Obrigado.
Então eu apertei aquele botão quadrado do elevador, sujo, imundo! Fico imaginando todas as vezes quantas doenças estou sujeito a pegar quando entro em um hospital..(é sim querido amigo.. tenho mania de limpeza e organização, você bem sabe).
-Doutores, o que esse paciente sofreu? Parece que a coisa não foi nada boa aí, que horrível (tinha que fingir um pouco de compaixão para não deixar passar as impressões ha há)
-Olha amigo, ao fazermos uma averiguação superficial e ao que me parece ele teve lesões sérias na clavícula e na omoplata, havia uma pedra bem grande e pontiaguda no local com manchas de sangue, e possivelmente  tenha sido isso que perfurou as costas dele.
-Nossa, coitado dele, não sei como tem pessoas que ainda cometem uma crueldade dessas..( a minha cara de compaixão naquela hora era o melhor háháháháhááhá!!!)
-Sim, verdade. Com licença.

A porta do elevador se abriu e eu continuei lá dentro, admirando aquela cena onde o vermelho do sangue em hemorragia piorava a cada instante e formavam desenhos artisticamente belos no chão do hospital e contornavam as arestas do piso, era tão lindo admirar uma obra que você fez, podia ver entre as cores vermelhas a cor branca como contraste quando os paramédicos trocaram o curativo , cor branca dos ossos, ossos esses que nunca mais fariam a sua função original,  os que se quebraram poderiam ter perfurado vários órgãos e feito a sua pintura interna. Imagina só a dor que ele estava sentindo, a dor me fascina! Eu vi naquele momento o meu objeto “pacientemente” balbuciar tinta vermelha pela boca e pintar parte da tela (maca), foi no momento que as portas do elevador se fecharam e eu já sabia qual seria o fim daquele maldito indivíduo, então desisti de terminar a minha obra de arte tão bela, por que sabia que naquele instante ela estava sendo terminada por si mesma. Há uma das poucas coisas da qual não tenho nojo, ela é a tinta humana. O seu cheiro, o seu sabor, é tão vívido e tão gracioso que poderia extraí-la e me banhar por uma tarde inteira, me pintaria com a cor de todos os meus Marskaya Svinka’s! Fechando mente término diário do dia 14.09.2013.




Capítulo 4- desenvolvendo a habilidade de pintar

Abrindo mente, teste diário, consigo me ouvir?
Hoje meu grande amigo cinzento, relembrarei a minha infância. Bem eu sempre fui um garoto no qual julgavam inteligente, nunca gostei de assistir televisão por muito tempo,(só as vezes que assistia a filmes, os filmes me fascinavam e me fascinam até os dias de hoje) nunca quis aprender a jogar futebol ou esses joguinhos bestas de vídeo game que as outras pessoas da minha idade gostavam. Apenas uma coisa me fascinava mais do que todas as outras na minha infância, essa coisa era a leitura, sim, ler! Ler livros sobre Arte, ciência, psicologia e ficção científica era do que eu mais gostava, e sempre tentava aplicar  essas coisas ao meu dia-dia. Sempre gostei de ir à escola e enquanto as outras crianças jogavam entre si, eu fazia as atividades inúmeras vezes durante os intervalos, era uma maneira também de manter a minha ansiedade “ocupada”, ansiedade essa que me faria montar a minha primeira obra de arte ainda pequeno, com onze anos de idade. Eu sempre tentei interagir com os alunos da sala de aula, mas todos me discriminavam, eu tinha uma aparência fisicamente fraca, enquanto os outros meus colegas era robustos e bem alimentados. Ah... isso por que eu preferia muitas vezes ler um bom livro do que me alimentar nos intervalos e recreios da escola, isso influenciou na minha fama de nerd, o nerd, o estranho, o esquisito!(isso quando não me xingavam dos piores nomes que existiam)  Era do que eles me chamavam. O engraçado é que as únicas pessoas que gostavam de mim e conversavam as vezes eram as meninas. Me lembro até hoje da primeira vez que eu apanhei na escola...
-Ei seu idiota! (falou o Adriano Siveira, o aluno mais popular da sala e que por sua vez era filho de um dos comandantes da escola)
-Olá, algum problema colega? (falei, num tom de inocência)
-Se afasta da minha namorada agora! (berrou ele num tom de pura grosseria)
-Adriano, não quer conversar? Tudo pode ser resolvido num diálogo colega
-Porra, saia de perto dela agora! (falou isso já segurando no colarinho da minha farda)
Então eu me afastei da Alexandra e fui andando devagar para fora da sala, até que:
Poumm! (até hoje não sei o que me atingiu, provavelmente um soco ou chute, mas  lembro que senti uma dor aguda na região das costas e foi como se as luzes ficassem apagadas e eu perdesse as forças, então quando acordei já estava caído no chão. Vi aquelas pessoas olhando para mim enquanto o Adriano se jogava no chão disfarçadamente. O diretor agora se aproximava da sala e caminhava em direção a mim num tom de rigidez:
-Ei, Otávio, o que está acontecendo aqui?
-Eu...eu não sei direito, não consigo compreender
Naquele momento enquanto eu tentava me levantar, vi o Adriano fingindo estar machucado com os dois braços envolvendo a barriga e rolando pelo canto da sala.
-Ahhh Diretor Rubens dói muito, dói muito (disse o Adriano fingindo dores)
-Olha o que o Otávio fez com o Adriano Diretor, chutou a barriga dele! (seis ou sete amigos de Adriano na sala concordaram com o que se pronunciou, enquanto todos os outros indivíduos  que abitavam aquele espaço pareciam não saber falar)
O Diretor Rubens rapidamente se prontificou a ajudar o Adriano, aquele ser que sofria tragicamente com os hematomas ilusórios da imaginação, enquanto eu, agora já de pé, tentava me recuperar do susto e do golpe que tinha tomado sorrateiramente pelas costas. Adriano pôs-se a mancar para concretizar a encenação daquele “lindo” drama. O resultado foi que o meu covarde colega foi amparado por toda turma enquanto eu, o verdadeiro ferido tentava acalmar a minha dor física psicologicamente, tentando não chorar, tentando não demonstrar nenhum rancor ou sede de vingança. Fui obrigado a pedir desculpa e a jurar que não iria mais bater em nenhum dos meus “frágeis” colegas, e como brinde, ganhei uma advertência, boletim de ocorrência, como era chamado na época da minha gloriosa escola militar.
Otávio venha já a minha sala. (O diretor apertou forte no meu braço enquanto praticamente me arrastava para sala dele. Dava para ouvir em baixo volume os riso de alguns alunos.)
-Sente-se aí nessa cadeira Senhor Otávio, precisamos conversar! ( o diretor falou isso enquanto se sentava suavemente na sua poltrona, de frente para mim)
Abaixei a cabeça e fiquei observando o modo como, já sentado, as pernas dele se mexiam sem parar, parecia estar um tanto quanto nervoso, frenético, percebi também que num canto da mesa havia uma folha de papel pequena em forma de cilindro entreaberta. Aquela sala me dava um pouco de medo, diziam que o diretor estava passando por sérios problemas familiares e psicológicos, e que ele punia os alunos com um método nada gentil. Não sabia o que queriam dizer com isso, não até aquele presente momento. Eu não falava nada, não queria falar, também... Não iriam acreditar em mim, eu era apenas o filho de um soldado, enquanto o Adriano era filho de um capitão com muito renome militar.
-Moleque, vai contando o que aconteceu, desde o início!
Eu pretendia nada falar, não me pronunciar. Consigo me lembrar até hoje de todos os sentimentos que possuíam a minha mente naquele instante, era uma mistura de ódio, ódio e mais uma pincelada sutil de muito ódio! Continuei calado durante mais ou menos três ou cinco minutos seguidos (não me lembro ao certo, mas foi o bastante para perceber que eu iria ser humilhado ainda mais), enquanto Rubens me fazia as mesmas variações de perguntas. Foi aí que esgotei a paciência do diretor.
-Está na cara que foi você, você não me responde, e um ditado muito conhecido por mim é: quem cala consente a culpa (disse ele num tom de ironia, como se aquilo tivesse sido bom e agora ele me preparava a minha lição de aprendizado).
Eu estava novamente de cabeça baixa quando o carrasco levantou.
-Olhe para mim, isso que vou fazer agora ajudará a você criar consciência, e ter respeito pelos seus colegas, pois aqui nessa escola (ele fungava o nariz a cada 30 segundos, como se algo o tivesse incomodando) não admitimos alunos indisciplinares como você, então é isso que você merece! (olhamo-nos nos olhos e tive medo daquele olhar, um olhar aceso e a vermelhidão dos olhos quase lacrimejantes de Rubens me fez sentir uma agonia, só queria sair daquele local, não queria que ele fizesse nada de mal comigo, ele não precisava ter feito aquilo...)
Boummm!! (esse foi o barulho que fez a minha têmpora, quando aquela mão pesada, enrolada numa toalha, me socou, caí da cadeira com a força do impacto)
Mal tinha me recuperado de um golpe covarde, agora, em menos de dez minutos passados estava tentando me levantar do chão daquela sala macabra cheia de papeis e quadros de pessoas ridiculamente famosas e condecoradas. Atordoado e tentando me controlar para não chorar. Todos os meus esforços foram em vão, eu berrava interna e mentalmente enquanto externamente os meus olhos pareciam cachoeiras, cachoeiras de ódio e raiva de mais um covarde no mundo!
 -E agora desgraçadinho, bolsista, filho de um soldadinho de merda, eu quero que você enxugue essas lágrimas falsas, levante-se e retire-se da minha sala de cabeça erguida. Lembrando que você não vai falar nada do que aconteceu aqui hoje para ninguém, incluindo sua família. Ou você quer que eles morram um por um?(lançava um olhar sufocante e intimidante)
-Hum-rum (ainda calado balancei a cabeça em sinal positivo)
O Diretor rapidamente foi até a gaveta onde estava a sua arma e a sacou, depois segurou no meu pescoço e pôs aquele revolver 38 prateado, cromado junto ao meu olho direito e falou:
-Eu quero que você responda audivelmente seu moleque! O que aconteceu aqui hoje?!
-E..e..Eu entrei em.. luta.. corporal com o A..Adriano e o senhor me deu uma advertência pe..pelo meu mal comportamento Senhor! (eu berrei em voz trêmula)
-E quanto ao murro que te dei agora pouco, doeu? (me perguntou mais uma vez) 
-Não sei do que está falando Senhor, o Senhor não me bateu!
-Isso, muito bem moleque! (falou ele enquanto me soltava com um meio sorriso no rosto, e agora buscava um isqueiro para acender o cigarro que tentava achar em um dos bolsos da farda condecorada).

Finalizada essa situação o Diretor Rubens me mandou de volta para sala, que já estava tendo aula normalmente. Assim que apareci na porta, os alunos, todos eles, começaram a cochichar entre si, uns davam risada, outros me olhavam com cara de pena e alguns com cara de susto, mas ninguém foi capaz de conversar comigo naquele momento, em vez disso fiquei abandonado no fundo da sala enquanto o meu ódio corria por minhas veias, alcançando, o coração e subiam pela espinha acelerando cada vez que me lembrava das injustiças sofridas a poucos minutos atrás, naquele momento não era eu, não conseguia pensar, nem falar, nem mesmo agir sobre nada  que não fosse a esquematização da minha vingança. Enquanto isso dialogava com alguns amigos que ganhei naquele dia, um se chamava hematoma temporiano  outro vermelhidão dorsal e o terceiro, o rancor mortal. Dois deles  me abandonariam poucas semanas depois, a não ser o rancor mortal, esse foi o meu amigo que me fez aprender o verdadeiro sentido da arte, até os dias de hoje!